sábado, 1 de março de 2014

Dentro das coisas há um infinito.
Um buraco negro que engole  palavras.
O dentro não nomeado é só possibilidade.
Molho meus pés. A água é fria.
Não há isca possível.
Quem sabe não caio. E pego com a mão a palavra escorregadia que agora me afoga.
@anaribeiro

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Não quero nenhuma palavra que preste. Procuro a outra, mais suja de vida. @anaribeiro

Viagem

Arranjei um segredo e uma fita vermelha.
Embrulhei toda a vida em um pedaço de pano.

Mandei matar a fome
mandei servir assada.

Mandei tomar um porre
mandei jogar pelada.

Mandei ouvir o vento
andar nu de madrugada.

Mandei voar sem asas
e cair em disparada.

Saí como rainha, em busca de quase nada.
@anaribeiro

sexta-feira, 19 de julho de 2013

A casa


A casa é janela aberta.
A casa é cama e coberta.
A casa garante o sono,
 conforto e calor no outono.

A casa é paz sem fim.
É tudo que sonhei pra mim.

A casa é um casulo estreito.
A casa é um seguro.
A casa é um abrigo, um esteio.
A casa é um muro.
Bem alto,  intransponível.
Só deixa ver o teto :
e o quarto escuro.

A casa é um caso sério. @anaribeiro



terça-feira, 16 de julho de 2013

Receita




A fervura borbulha na cozinha.
A ebulição cá dentro, faz mais arruaça, no entanto.

Queima a comida enquanto não acerto o tempero,
entre a vida e o texto.
@anaribeiro

domingo, 23 de junho de 2013







Minas é o que oculta.
Um segredo guardado, contado baixinho, ao pé de ouvidos seculares.
Minas é o que se esconde. Talvez sob o que escrevo.
O que haverá por debaixo dessas montanhas, além de mim e do que sinto?
Minas.                         

Minas é tudo que não vejo. @anaribeiro

(Texto publicado originalmente no blog http://orelogioavariado.blogspot.com.br/ de Ozias Filho)

sábado, 18 de maio de 2013

Álbum de família


Uma história se esconde por detrás do papel brilhante do álbum de fotografias,
encoberta mil anos pelo lustro dos sorrisos e dos abraços.
Ainda assim, há memórias quase invisíveis, não fossem as sombras nos negativos.

Não há vida que se mostre nos retratos, sempre estáticos.
Há uma cera, uma tinta, um batom, um salto, a roupa nova, o mar ao fundo.
A felicidade cristalizada nas mãos que se tocam, na brincadeira das crianças.

Capturada para sempre. 

Benditas sejam as molduras que seguram outras verdades em dimensões proibidas.
@anaribeiro



Batismo

 Seu nome na minha boca. Macio e doce na aspereza da minha língua. Ao dizê-lo, te construo, E te faço imagem e semelhança do amor que tenho....