sábado, 3 de julho de 2010

Penumbra


entretida estava aberta a porta.
Pela fresta se insinuava uma luz semimorta
Nem entrava, nem saía.
Me deixava sem saber se era noite, se era dia
E a claridade torta,
alheia à minha agonia
brincava com a porta
que não se decidia.
Se se abria, escondia todo o dentro
o dentro que sempre doía.
Se se movia,
eu só via lá fora
A claridade embaçada do dia.
O ferrolho antigo, pesado e inútil
enferrujava morto a madeira fria
E eu ficava ali
No meio oco da travessia.
Sem saber se ficava
ou ia.

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