sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Glossário

Dentre as palavras todas do meu disléxico

Gosto do ou e do se
talvez, seria, vários, quem sabe... são palavras que me atraem sobremaneira.

O quase, quase me angustia um pouco.

Vou sendo, estava, ando
poderia, quando... também me são caras.

Detesto tudo, nada, faça, venha, 
não sinta.

Abaixo o artigo definido, o substantivo concreto.

Prefiro nuvem.

domingo, 28 de outubro de 2012

Apelo

Eu peço: não venha. Não venha agora. Não venha mais.
Nem amanhã também eu quero mais.
Eu peço: não fique. Não fique mais. Nunca mais.
Preciso que vá. Que vá sempre. Não quero que chegue para mim.
Porque esperar foi o que aprendi da vida a vida inteira. E agora eu gosto.
Seja sempre minha esperança.
O que sustenta minha espera.
O que sustenta minha fome, minha sede, meu desejo de querer ser feliz um dia.
Porque ser feliz é pra depois, sempre pra depois.
Então, por isso, Me deixe em paz, porque eu agora, já não te espero mais.

sábado, 15 de setembro de 2012

Sinal de trânsito





Na volta para casa, ao anoitecer,
a lua, a quarenta por hora na placa de velocidade permitida.
Nem diminuí quando ela me viu.
Escondeu-se no amarelo gema da faixa contínua.
Me deu passagem para a contramão.
Peço não perguntarem para onde eu ia.
Talvez, nem mesmo a lua soubesse.

sábado, 28 de julho de 2012

Asas

                                                                                 

















O osso do pássaro é oco.
O osso do pássaro é pouco.
O osso do pássaro é louco.

Por isso o voo tão largo.
Por isso o voo.


sexta-feira, 6 de julho de 2012

Um corpo para quê?

                                                                                           © Ozias Filho


O corpo.                                        

Um corpo estranho.
Esse estrangeiro sem tamanho.
Tão opaco quando nu.

Tão opaco quanto nu.

Quando fôrma:
Óvulo-sêmen.
Metade.


Quando prazer:
Nem  macho, nem fêmea.
Vontade.

O corpo.
Tão opaco quando nu.







sexta-feira, 29 de junho de 2012

Cerco

                                                                                                       © Ozias Filho



Cada passo para frente não foi dado.
Assim como em um sonho de pernas desobedientes e respiração ofegante,
Sinto o peso da presa que não se desloca e a ameça predadora ao encalço.



Há décadas, impelida à exaustão para um onde sem direção,
sempre à caça,


Corro sem sair do lugar.
Já não há chegadas possíveis quando a imposição da viagem é eterna.

Pensar é paralisante.

Às vezes é preciso ficar.
Não ir também é revolucionário.








O destino é macho. Acha que manda. Pensa que domina. Espera obediência. Exige submissão. Apaga as vontades. Invisibiliza o arbítrio. Diz se...