Eu peço: não venha. Não venha agora. Não venha mais.
Nem amanhã também eu quero mais.
Eu peço: não fique. Não fique mais. Nunca mais.
Preciso que vá. Que vá sempre. Não quero que chegue para mim.
Porque esperar foi o que aprendi da vida a vida inteira. E agora eu gosto.
Seja sempre minha esperança.
O que sustenta minha espera.
O que sustenta minha fome, minha sede, meu desejo de querer ser feliz um dia.
Porque ser feliz é pra depois, sempre pra depois.
Então, por isso, Me deixe em paz, porque eu agora, já não te espero mais.
domingo, 28 de outubro de 2012
sábado, 15 de setembro de 2012
Sinal de trânsito
Na volta para casa, ao anoitecer,
a lua, a quarenta por hora na placa de velocidade permitida.
Nem diminuí quando ela me viu.
Escondeu-se no amarelo gema da faixa contínua.
Me deu passagem para a contramão.
Peço não perguntarem para onde eu ia.
Talvez, nem mesmo a lua soubesse.
sábado, 28 de julho de 2012
Asas
O osso do pássaro é oco.
O osso do pássaro é pouco.
O osso do pássaro é louco.
Por isso o voo tão largo.
Por isso o voo.
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Um corpo para quê?
© Ozias Filho
O corpo.
Um corpo estranho.
Esse estrangeiro sem tamanho.
Tão opaco quando nu.
Tão opaco quanto nu.
Quando fôrma:
Óvulo-sêmen.
Metade.
Quando prazer:
Nem macho, nem fêmea.
Vontade.
O corpo.
Tão opaco quando nu.
O corpo.
Um corpo estranho.
Esse estrangeiro sem tamanho.
Tão opaco quando nu.
Tão opaco quanto nu.
Quando fôrma:
Óvulo-sêmen.
Metade.
Quando prazer:
Nem macho, nem fêmea.
Vontade.
O corpo.
Tão opaco quando nu.
quinta-feira, 5 de julho de 2012
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Cerco
© Ozias Filho
Cada passo para frente não foi dado.
Assim como em um sonho de pernas desobedientes e respiração ofegante,
Sinto o peso da presa que não se desloca e a ameça predadora ao encalço.
Há décadas, impelida à exaustão para um onde sem direção,
sempre à caça,
Corro sem sair do lugar.
Já não há chegadas possíveis quando a imposição da viagem é eterna.
Pensar é paralisante.
Às vezes é preciso ficar.
Não ir também é revolucionário.
Cada passo para frente não foi dado.
Assim como em um sonho de pernas desobedientes e respiração ofegante,
Sinto o peso da presa que não se desloca e a ameça predadora ao encalço.
Há décadas, impelida à exaustão para um onde sem direção,
sempre à caça,
Corro sem sair do lugar.
Já não há chegadas possíveis quando a imposição da viagem é eterna.
Pensar é paralisante.
Às vezes é preciso ficar.
Não ir também é revolucionário.
domingo, 24 de junho de 2012
Virtude
Então se perdeu.
Era uma noite sem estrelas.
Não houve testemunhas para sua tragédia.
Aplaudiu de pé quando o pano caiu no teatro vazio.
Perdeu-se.
E foi lindo.
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