© Ozias Filho
Cada passo para frente não foi dado.
Assim como em um sonho de pernas desobedientes e respiração ofegante,
Sinto o peso da presa que não se desloca e a ameça predadora ao encalço.
Há décadas, impelida à exaustão para um onde sem direção,
sempre à caça,
Corro sem sair do lugar.
Já não há chegadas possíveis quando a imposição da viagem é eterna.
Pensar é paralisante.
Às vezes é preciso ficar.
Não ir também é revolucionário.
sexta-feira, 29 de junho de 2012
domingo, 24 de junho de 2012
Virtude
Então se perdeu.
Era uma noite sem estrelas.
Não houve testemunhas para sua tragédia.
Aplaudiu de pé quando o pano caiu no teatro vazio.
Perdeu-se.
E foi lindo.
sábado, 23 de junho de 2012
Bordões e bordéis
O desamparo
o desespero
o desengano
o desencanto
o desalento
O desafio
O desabafo
o desapego
O desvario
o desatino
A destreza
o desespero
o desengano
o desencanto
o desalento
O desafio
O desabafo
o desapego
O desvario
o desatino
A destreza
segunda-feira, 18 de junho de 2012
domingo, 17 de junho de 2012
Espera
Recolho as vestes sujas de ontem
Até os joelhos erguidas, esperam.
Os pés estão limpos, ainda.
Meus braços doem segurando o tempo.
Envergonhada, orgulho-me de tamanha nudez.
Recolho as vestes sujas de ontem.
Prefiro o frio. E os passos que ainda não dei.
segunda-feira, 28 de maio de 2012
Sobre as manhãs de segunda e a covardia cotidiana
Jurou que um dia
desses úteis e de sol
ficaria na cama
até o meio dia.
Não se preocuparia
com a agenda, o despertador
mataria serviço,
não pagaria a conta
desligaria o computador.
Não seria mãe, nem esposa,
filha ou o que quer que fosse.
Seria o que trouxesse o dia,
Esperaria, sem temor.
Viveria sem prazos
sem correria.
Não precisaria
nem de pão, nem de amor.
Jurou que faria.
Mas... Um dia.
Pensou bem.
E se levantou.
desses úteis e de sol
ficaria na cama
até o meio dia.
Não se preocuparia
com a agenda, o despertador
mataria serviço,
não pagaria a conta
desligaria o computador.
Não seria mãe, nem esposa,
filha ou o que quer que fosse.
Seria o que trouxesse o dia,
Esperaria, sem temor.
Viveria sem prazos
sem correria.
Não precisaria
nem de pão, nem de amor.
Jurou que faria.
Mas... Um dia.
Pensou bem.
E se levantou.
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