domingo, 17 de junho de 2012

Espera

Recolho as vestes sujas de ontem
Até os joelhos erguidas, esperam.
Os pés estão limpos, ainda.
Meus braços doem segurando o tempo.
Envergonhada, orgulho-me de tamanha nudez.
Recolho as vestes sujas de ontem.
Prefiro o frio. E os passos que ainda não dei.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Sobre as manhãs de segunda e a covardia cotidiana

Jurou que um dia
desses úteis e de sol
ficaria na cama
até o meio dia.
Não se preocuparia
com a agenda, o despertador
mataria serviço,
não pagaria a conta
desligaria o computador.
Não seria mãe, nem esposa,
filha ou o que quer que fosse.
Seria o que trouxesse o dia,
Esperaria, sem temor.
Viveria sem prazos
sem correria.
Não precisaria
nem de pão, nem de amor.
Jurou que faria.
Mas... Um dia.
Pensou bem.
E se levantou.

sábado, 12 de maio de 2012

Sublimar



sob  é subúrbio pulsante
sob é o que tenho
quiçá por debaixo
por debaixo da pele
subcutâneo
subentendido
subterfúgio
subversivo
Sob
Sub
A bússola latente.
Sem norte em mim




domingo, 29 de abril de 2012

Rosário

No alpendre de outra década -
um chalé: telhado de goteiras
e balaústres sem imponência -
vi uma flor de plástico.
Murcha.
Seu lilás desbotava debaixo da poeira
manchada por um chuvisco qualquer.
Parece que morria.

domingo, 22 de abril de 2012

Paisagem

Teses, teorias textamentos.
Óculos sacros em olhos de mil anos.
lentes turvas em um deserto de miragens.
Ver é tudo.
Ilusório sou eu.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Desassombro


Não há mais nada a  dizer sobre pedras e bodoques
ou sobre pássaros e homens.
Apenas se estica o elástico do tempo.
E nesse PLÁ, de assombro novo, é que pousa alguma pena.
Tão gasta de cair, descreve curva inédita.
Talvez eu conte isto:
Depois do tiro,
o menino de Barros é que pousa no lugar.

O destino é macho. Acha que manda. Pensa que domina. Espera obediência. Exige submissão. Apaga as vontades. Invisibiliza o arbítrio. Diz se...