sábado, 17 de dezembro de 2011

Sobre laços e nós

Estreitos são os laços frouxos que nos arrematam.
Desembainhados, soltam franjas gastas que se pulverizam e se prendem incomodamente nas vestes, nos cabelos, no velho tapete da sala.
A cor ainda é bonita, mas há um insuportável cheiro de mofo sobre manchas desbotadas aqui e acolá.
O nó é forte, entretanto.
E se finge de enfeite.
Um enfeite murcho sobre um vestido velho.
Não há beleza. 
Delicada pressão sobre  uma cintura antiga. E infinitamente mais larga. Apenas isto. Velhos laços estreitam os nós que nos prendem.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Antigamente...


Deu a mão.
E todos os dias
Entrega a outra face.

Sina de mulher?

Atire a primeira pedra quem não viu um caso assim.
Ainda hoje
E bem aqui.







domingo, 27 de novembro de 2011

Perdi o fio
como uma faca velha perdida na gaveta.

Não faço medo.
Nem tampouco cumpro meu destino.

Rasgo a carne dolorosamente, demoradamente
Cega. Imprecisa.

No entanto,
peso no braço que me segura
Sem direção,
corto a mão.

Sigo um instinto nato que não se perdeu no tempo.
Golpeio o ar, sem rumo
Mantenho o punho fora do prumo

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Fakelook

Corro para pensar no que estou pensando agora
e publicar uma frase rasa nesse meu rosto fantasmagórico que se mostra em um espelho descascado.
Daqueles mesmo, manchados pela falta do reflexo. E do uso excessivo e demorado.
Do outro lado dessa moldura vazia
ninguém repara.
As palavras são apenas maquiagem derretida no meio do dia sem calor.

O destino é macho. Acha que manda. Pensa que domina. Espera obediência. Exige submissão. Apaga as vontades. Invisibiliza o arbítrio. Diz se...