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Mostrando postagens de Junho, 2012

Cerco

 © Ozias Filho



Cada passo para frente não foi dado.
Assim como em um sonho de pernas desobedientes e respiração ofegante,
Sinto o peso da presa que não se desloca e a ameça predadora ao encalço.



Há décadas, impelida à exaustão para um onde sem direção,
sempre à caça,


Corro sem sair do lugar.
Já não há chegadas possíveis quando a imposição da viagem é eterna.

Pensar é paralisante.

Às vezes é preciso ficar.
Não ir também é revolucionário.








Virtude

Então se perdeu. Era uma noite sem estrelas. Não houve testemunhas para sua tragédia. Aplaudiu de pé quando o pano caiu no teatro vazio. Perdeu-se. E foi lindo.

O menino alado - de Ozias Filho

Imagem postada no blogue http://orelogioavariado.blogspot.com.br, por Ozias Filho





Espera

Recolho as vestes sujas de ontem
Até os joelhos erguidas, esperam. Os pés estão limpos, ainda. Meus braços doem segurando o tempo. Envergonhada, orgulho-me de tamanha nudez. Recolho as vestes sujas de ontem. Prefiro o frio. E os passos que ainda não dei.