sexta-feira, 19 de agosto de 2011

DRIBLE


Por que o céu pesa tanto
na cor dos seus olhos?

E o tempo, essa raposa de olhos oblíquos,
me espreita nas dobras da sua pele.

Por que nascemos para amar
se morremos a cada instante?

Meu coração é vesgo,
mas sabe que o céu é cinza.
Meus olhos sentem
o que seu coração não vê.

Neste instante eu sou eterna.
E eu amo na eternidade do momento.
Você está aqui.
E o sonho agora,
é apenas,
Poesia.
Ana Ribeiro - 1993

2 comentários:

  1. Ana,
    fiquei sem voz, de novo... Que delícia de ler, ouvir e sentir!!

    Beijos!

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  2. Ana,

    poema bom é o que suscita uma obra seguinte, dando continuidade à emoção da leitura. O seu céu que "pesa tanto" já está caindo da altura dos meus olhos, por exemplo.

    E para o "coração vesgo" é preciso um caminho de labirintos.

    Gostei muito! E que se abra a temporada de caça às raposas de olhos oblíquos!

    Abraços!

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