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Mostrando postagens de Maio, 2011

Voyeur Parte II

A câmera, a luz, um click.
Nada escapa aos olhos: velozes e furiosos.
Na tela, no vídeo
Na ponta da sonda
No catéter.
A biópsia e autópsia.

Raio X, ultra som
o laser.
tomografia, cintilografia, ressonância.
Magnética é a imagem que acena.
Que entra em cena. Que encena
Imagem cênica, performática. Atrai e engana. Trai.

O homem e suas intermináveis invenções. Subtrai-se de suas vestes, de sua pele, de sua superfície. Desdobra-se expondo-se todo, pulverizando o segredo privado  que, guardado a sete chaves, mostra-se escancaradamente e não choca. Não mais do que durante aquele segundo em que as cortinas se abrem. Não há mais segredo. O segredo não faz mais sentido. Um eu que não se mostra é um eu que não existe.

O homem é sua própria imagem.
Olha para si e não se vê.
Instrumentaliza-se. Equipado sai em busca.
Plásticas, lipos, peelings.
Próteses.
Não há photoshop que mascare sua dor. A dor incansável de buscar o invisível. Aquilo que se ausenta da célula - milhares de vezes ampliada - ,…

Voyeur

A perna, a anca, a virilha, o púbis
o umbigo, a coxa, a cintura, o seio,
o peito do pé, a veia da mão, os braços,
o dorso, o ombro, o glúteo, o rosto.
O rim, o fígado, bexiga, útero,
testículos, ovários, pulmões, vesícula
coração, intestino, estômago e cérebro
o baço, o pâncreas, o apêndice, o reto
o tálamo, a uretra, a íris, o tecido.
O feto.

O corpo exposto
Na pele do rosto
No dentro do osso.

É preciso ver tudo
a qualquer custo.

O olhar ávido atesta:
Basta-nos ver.
(Ver sem parar.)

NO FUTURO

No futuro não viveremos em redomas, nem vestiremos roupas sintéticas, capacetes bizarros ou nos comunicaremos por telepatia. Penso na evolução como uma espécie de retorno.  Quanto mais sofisticados se tornarem nossos mecanismos cerebrais, mais nos tornaremos parecidos com nossos longínquos ancestrais.  Detalhe: Por opção. Deixaremos de ser sedentários. Estaremos em contato maior com a natureza. Comeremos apenas para sobreviver. Não poluiremos. As teorias médicas e científicas mais modernas apontam esse "modus vivendi" como receita para uma vida longa e feliz.
Viveremos em bandos, cada vez menos isolados. Vamos nos organizar segundo as necessidades do grupo e não segundo nossos próprios interesses. Poderemos andar nus se quisermos. Não consideraremos o outro um estranho inferior: porque é fêmea, ou macho,  ou porque não é fêmea nem macho; possui pêlos mais claros, ou  mais escuros, ou não os possui; não seremos  rejeitados, temidos, injustiçados, abandonados ou  violentados seja lá p…