sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Lacuna



Nem sempre o que te falta me completa.
Nem sempre dá para a rua a porta aberta.

Nem sempre a sua busca é o que me caça.
Seu olhar, nem sempre é o que me abraça.

Nem sempre. Nem sempre.
Nem sempre a tua falta me completa.

Nem sempre a minha falta é completa.
Tenho bons motivos para não ser metade.
Para não querer metades.

Há sempre uma palavra
entre meu olhar e o horizonte.
Um oceano.
Talvez eu busque em mim mesma.
O que é seu é sempre insano. Não está em mim.

Nem sempre o que te falta me completa.
Eu não sou o que você procura.
Nada de mim falta em você.

4 comentários:

  1. A metade do outro é o tamanho exato do nosso egoísmo.

    Belíssimo poema!

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  2. Ana,
    quando eu crescer, quero ser do seu tamanho!

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  3. Hoje ainda procuro o que me completa...se é que podemos ser preenchidos..

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  4. Lacuna é palavra que associo à existência e nunca se obtém a total complementariedade. Salvo de lacunas preenchidas pelo incessante movimento, como o leito dos rios, por exemplo.

    Beijo.

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