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Mostrando postagens de Dezembro, 2010

Lacuna

Nem sempre o que te falta me completa.
Nem sempre dá para a rua a porta aberta.

Nem sempre a sua busca é o que me caça.
Seu olhar, nem sempre é o que me abraça.

Nem sempre. Nem sempre.
Nem sempre a tua falta me completa.

Nem sempre a minha falta é completa.
Tenho bons motivos para não ser metade.
Para não querer metades.

Há sempre uma palavra
entre meu olhar e o horizonte.
Um oceano.
Talvez eu busque em mim mesma.
O que é seu é sempre insano. Não está em mim.

Nem sempre o que te falta me completa.
Eu não sou o que você procura.

Nada de mim falta em você.

Insana idade

Atrás da minha face esconde o ouro Meus olhos brilham em meio às carrancas Estrelas cintilam na inútil resposta Do provocar desta alma amostra


Querida realidade mundana Fazes de mim uma prova contrária Do poder gigante do meu sorriso Torto, livre, talvez até lindo por isso


O sol insiste em nascer para vocês O batuque repete todos os mesmos sons A dança segue e os passos dão em salsa E o meu coração hoje valsa


Oh vida estranha destes estranhos Fito e tento em vão compreender São tantas e tão iguais são Santo, santo, perdoai este povo são

Mudez Parte II

A falsa calma da tarde de domingo invade as cortinas brancas do quarto de antigas paredes.
Balança perigosamente o tecido leve que roça seu ombro com uma delicadeza ameaçadora.
Um arrepio estranho de presságios irracionais percorre a pele clara de seu pescoço.
Esta presa inerte pressente a brisa que entra pela janela assoprando o calor angustiante de masmorra úmida.
A falsa calma da tarde de domingo invade o quarto quase escuro da penumbra que vem de fora.
Ou será de dentro?
Ainda há luz lá fora afinal.
Mas ela não se levanta. A cortina que balança é o movimento. O seu movimento.
Enquanto espera, escreve.
É só o que pode fazer.