sábado, 25 de setembro de 2010

ATOPIA

Cansado do itinerário tão variável e intenso
o cosmopolita sem rota descansa.
Os pés e a vista não têm chão nem horizonte certo
O lar perdido entre o monte ereto, o deserto reto, a noite sem fim.
O dia começa e lá está ele. Estático e cansado. O movimento sem fim da viagem eterna o persegue entretanto. Onde é seu lugar?
A memória não traz um cheiro peculiar. A infância não tem o quintal sagrado.
O que o habita é o mundo. Sem cercas, nem muros, nem nada.
No entanto, está proibido de entrar,
no mundo que é seu. No mundo do outro.
Cidadão sem pátria,
não entende o véu. Nem a tinta no rosto, nem as mãos postas em prece, nem a tanga ou o terno.
O mal do outro é eterno.
Dentro da casa, ou depois da cerca,
o mal do outro é eterno.
Miseravelmente, o cidadão universal esbarra na sua própria sina.
Sua pátria sem fronteiras não tem chão para um coração que nasceu aqui e viajou.
É preciso não nascer aqui.
Aqui não existe mais. Apenas sua cicatriz, em carne viva,
não o deixa descansar.

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