terça-feira, 3 de agosto de 2010


Era festa. Nas roupas, nos sorrisos, no som eclético de conversas, risadas. Cheiro de quermesse cor de rua estreita. Minas interiores. Era festa nas ruas, nas janelas. Tantas pernas, e braços e bocas. A fumaça com cheiro antigo de carne queimando... A fumaça embaçando a cidade e o tempo que deixava suspensa a vida. A padroeira suspensa no andor... Justificar A procissão marcha. A marca. A vida. Piedade. A fumaça da barraca que embaça o tempo, que suspende a vida. A vida que só recomeça na preguiça de segunda.
Mas até que a segunda traga no amanhecer a sobra estranha desses dias, ainda é festa. A roupa é nova e cheira bom o batom. E o perfume ainda não se evaporou no suor que impregna a dança dos olhos. A alma pinga adrenalina sensual nas luzes da cidade e contagia os corpos que enchem as ruas, normalmente tão vazias nas manhãs de terça, quando os cães dormem sob o sol que espalha preguiça nos bancos dessa mesma praça. Pública.
Na terças e quintas e sextas... Trabalho incansável para fazer a festa fugaz desses dias. Parêntese de sonho que colore de luz um resto de ano. Tem missa na matriz, tem banda, foguete e barraquinha. Tem leilão, maçã do amor, brinquedos. O menino pula. Tem baile. A cachacinha, os namorados. A vida está na rua.
Não cabe perguntar. Não pergunte. Não abra as portas trancadas onde jazem os tristes. Tranque as janelas para não ouvir os gemidos. Ignore os bêbados, já sujos de madrugada. Isso fica para segunda... Hoje é festa. Você tem que ser feliz.

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