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Mostrando postagens de Agosto, 2010

Estes Dias - Parte 2

O ego alimenta eu e mastiga
O ego devora eu e instiga
O ego fita
Acirra
Ira
Ora
Dobra
O ego sobra
O ego engole eu e dobra
O ego não sacia e extrapola.

Eu: um delírio

Existir é absurdo. Eu não existe mais - e o pão está na porta. Eu não existe mais - e mais cinco refinarias construídas. Eu não existe mais - e vão eleger novo presidente. Eu não existe mais - e o sol está lá fora. Eu não existe mais. Apenas ele agora. A terceira pessoa, referida. Vista de fora. Apenas ele existe, a palavra oca e murcha, o verbo, o que restou do eu (que foi?) ele também já agonizante. Existir é absurdo. A poesia é absurda. Se ao menos planta, bicho,  corpo reincorporado na terra. Mas, não. Gente. Absurdo. Lacuna indissolúvel para outros eus, enquanto forem. Eu não existe mais. Eu: um absurdo.
(Adeus, Moreno: Lacuna indissolúvel. Dói.)

Estes Dias

Dama Hipocrisia aponta na sala
E todos a olham, a seguem
Caminha firme e exclama forte
-Olá à todos! Diz sorridente


Atrás de cada máscara uma pessoa
Um padrão disseminado, assumido
O norte foge a verdade, caçoa
O homem prossegue, fingido


Pessoas agora são números
Olhares são meios de repreender
O ego se alimenta vorazmente
Pois tudo dá pra comer


O tempo é de vida vazia
E valor se pode morder
Vale muito olhar para trás
E voltar a aprender a viver.


Dama hipocrisia se despede
Seguida por todos da sala
Caminha firme e confiante
-Amanhã vejo todos vocês!

MARIAS

Não me reconheço em ti.
Nem na pureza cândida,
nem na doçura dos lábios,
nem na beleza da pele
nem na brancura marmórea da pele.
Nem mesmo o manto que poderia também cobrir-me.
Parece-me curto demais para este corpo de hoje.
Não me reconheço em ti.
E por isso, não me reconheço em mim.
A pedra, a pele, a palavra ave: em mim uma caricatura.
Dessemelhantes no tempo, no modo.
O que é mesmo a virtude?
Talvez a dor nos aproxime. Talvez a dor. Talvez.
Amores

São de amores, de amores,
que cantam os pássaros.
Que sopra o vento, no alento,
na brisa, na vida, nos cantos.
São de amores, louvores,
que sigo, que digo, que sou.
São de amores, amor,
anunciam os trovadores,
da vida, que segue, em nós.
Era festa. Nas roupas, nos sorrisos, no som eclético de conversas, risadas. Cheiro de quermesse cor de rua estreita. Minas interiores. Era festa nas ruas, nas janelas. Tantas pernas, e braços e bocas. A fumaça com cheiro antigo de carne queimando... A fumaça embaçando a cidade e o tempo que deixava suspensa a vida. A padroeira suspensa no andor... A procissão marcha. A marca. A vida. Piedade. A fumaça da barraca que embaça o tempo, que suspende a vida. A vida que só recomeça na preguiça de segunda.
Mas até que a segunda traga no amanhecer a sobra estranha desses dias, ainda é festa. A roupa é nova e cheira bom o batom. E o perfume ainda não se evaporou no suor que impregna a dança dos olhos. A alma pinga adrenalina sensual nas luzes da cidade e contagia os corpos que enchem as ruas, normalmente tão vazias nas manhãs de terça, quando os cães dormem sob o sol que espalha preguiça nos bancos dessa mesma praça. Pública.
Na terças e quintas e sextas... Trabalho incansável…