sexta-feira, 23 de julho de 2010

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Sou barroca de nascença
De almas múltiplas
Tríplice Aliança.
Réplica
Súplica
Imaculada.

Minha trindade não é santa nem eterna
Movimenta-se como as areias do Deserto
Deserto...

Máscaras tortas revelam minhas verdades contraditórias.
Sou de barro.
Maleável
Tridimensional.
Metamórfica.

Peco por não ser única. Eu mesma.
Trindade...

Cordeiro de Deus que tirai os pecados do mundo
Tende piedade de nós.

sábado, 3 de julho de 2010

Penumbra


entretida estava aberta a porta.
Pela fresta se insinuava uma luz semimorta
Nem entrava, nem saía.
Me deixava sem saber se era noite, se era dia
E a claridade torta,
alheia à minha agonia
brincava com a porta
que não se decidia.
Se se abria, escondia todo o dentro
o dentro que sempre doía.
Se se movia,
eu só via lá fora
A claridade embaçada do dia.
O ferrolho antigo, pesado e inútil
enferrujava morto a madeira fria
E eu ficava ali
No meio oco da travessia.
Sem saber se ficava
ou ia.